José Alberto Sarquis

Quem sou?

Ando na companhia da Fotografia desde finais da década de 1970, morando ainda em Buenos Aires. É minha profissão. E desde 1990 dedico-me ao ensino, com cursos em diversos níveis. Mas como gosto muito dela, também é minha forma de expressão.

Duas coisas me atraem nela: uma é sua capacidade de expressar, de comunicar, de "contar". A possibilidade de se constituir como linguagem. Portanto, para que a imagem funcione, existe a necessidade de que o artista tenha algo a nos dizer. Nesse ponto acredito que se alguma das minhas fotografias não comunicam, não dizem, não contam, o problema não é da fotografia.

A segunda questão é a exigência do olhar. Pier Paolo Pasolini num pequeno livro, na comparação entre o escritor e o cineasta, (para nós, o fotógrafo), diz que o escritor tem a sua disposição as "palavras-signos" que ele vai usar, todas no dicionário, e até em ordem alfabética para lhe facilitar o trabalho. Para o fotógrafo, a tarefa é dupla: primeiro tem que criar sua "imagem-signo", pois não existe um dicionário de imagens ao qual apelar. E só depois disso, dar a ela (a essa imagem por ele criada) a significação que a transforme em linguagem expressiva.

Essa é nossa tarefa. Apesar do que possa parecer, a fotografia não vem de fora para dentro; de alguma misteriosa maneira, ela vai de dentro para fora.

"Guimarães Rosa, em algum momento e lugar disse: Quando parece que nada acontece, há um milagre que não estamos vendo. Se eu não vejo o milagre, não é culpa da Fotografia."